Gavel, scales of justice and law books
Uma das dúvidas mais frequentes em quem finalmente se habilita na advocacia é se a melhor opção ao seu início de carreira é iniciar suas atividades de maneira autônoma ou se buscar uma contratação em uma firma já consolidada é a melhor opção. Minha resposta normalmente é: depende.
No meu caso, eu imaginei que quando me tornasse advogada, teria um porto seguro profissional no escritório onde estagiei nos últimos anos da graduação em Direito, pois eu estava bem adaptada, me relacionava bem com meu chefe, tinha um bom reconhecimento do meu trabalho, e tinha possibilidade de interagir com os clientes com alguma autonomia. Entretanto, confesso que o maior ponto de interesse sem dúvidas, era o ganho mensal que me garantiria uma estabilidade financeira inicial. Mas, ao me deparar com minha aprovação na OAB antes mesmo da minha colação de grau, eis que enfrentei uma questão a qual tentei gerir durante o tempo em que estagiei neste local, que era a da solucionar o sentimento (digo sentimento, porque hoje já madura, tenho dúvidas do quão a situação não foi vista sob uma ótica dramática de minha parte) de estar sofrendo assédio moral por parte de um dos meus superiores. Enfatizo que o assédio, se de fato existiu, era realmente moral, sem nenhum outra conotação. Então, quando fui aprovada na OAB, estava certa do meu posto, mas, não pude lidar mais tempo com a situação, e me deixei levar pela emoção, pedindo demissão, com muito pesar e decepção.
A vida de advogada recém ingressa no mercado de trabalho me pareceu bastante amedrontadora, muito mais pelo futuro incerto como alguém que deveria iniciar uma atividade autônoma e empreendedora, do que por encarar os desafios próprios da profissão, as quais eu já me habituara ao longo dos cinco anos de faculdade, por meio dos estágios que fiz.
Meu pai me disse que eu deveria comprar um carro, porque não pegaria bem a uma advogada andar de ônibus. Bom ou mal conselho, ví aquilo mais como um desafio do que como uma verdade. Sem recurso algum, comprei um carro mil de segunda mão.
Bem, talvez não seja aconselhável assumir uma dívida significativa quando não há qualquer recurso financeiro a se contar, mas a verdade é que pra mim, aquela dívida me fez ir buscar minha independência financeira-profissional com ainda mais urgência.

Então tomei algumas atitudes práticas:

1 – busquei uma rede de contatos imediatamente, deixando-as a par da situação, inclusive da minha situação financeira rsrs (as pessoas são muito sensíveis às necessidades reais das outras, em geral julgamos as pessoas menos generosas do que realmente são);
2 – conversei com meu antigo patrão e expliquei que apesar da demissão, eu poderia continuar a colaborar na produção de peças e etc.;
3 – mantive a postura profissional, sempre me apresentando com trajes que transmitisse um profissionalismo, simples, mas sérios;
4 – circulei bastante. Visitei colegas advogados, “batia perna” nos fóruns e me deixava ver pelas pessoas.
Essas atitudes não foram planejadas, mas puramente intuitivas, cuja base foi a mais pura motivação, e funcionaram. Em pouco tempo eu já havia conseguido uma boa causa que me rendeu uma quantia que garantiu o pagamento de algumas parcelas do financiamento do veículo entre outras despesas. Consegui parcerias de qualidade e longa duração e até um cliente que me custeava despesas mensais.
O final vocês já estão cansados de saber.
Baseado em minhas próprias experiências, fiz um checklist daquilo que acredito serem as vantagens de cada escolha. São as seguintes:

Advogado associado ou empregado:

1 – salário fixo podendo haver ajuste de remuneração para agregar honorários em causas compartilhadas e indicadas;
2 – aprendizado constante;
3 – aprendizado quanto a trabalhar sob pressão;
4 – contato com o modus operandi da gestão administrativa, financeira e operacional de um escritório;
5 – criação de rede de contatos;
6 – garantias trabalhistas (empregado);
7 – possibilidade de crescimento (plano de carreira).
Desvantagens:
1 – baixo salário inicial na maioria dos casos;
2 – pouca possibilidade crescimento;
3 – engessamento profissional;
4 – limitação dos ganhos financeiros;
5 – pouco tempo para captação individual;
6 – limitações técnicas (ajustar-se aos padrões da firma);
7 – baixa autonomia.

Advogado autônomo – vantagens:

1 – flexibilidade de tempo;
2 – liberdade técnica;
3 – captação própria, sem partilha de honorários;
4 – ganhos ilimitados;
5 – modelo próprio de gestão administrativa, financeira e operacional;
6 – flexibilidade de local de atuação;
7 – autonomia de escolha da especialidade (s).
Desvantagens:
1 – insegurança financeira;
2 – necessidade de desenvolver habilidades extra advocacia;
3 – insegurança profissional (falta de apoio técnico);
4 – investimentos financeiros de maior grau – despesas e custos operacionais;
5 – imprevisão de férias;
6 – retorno financeiro em médio e longo prazo;
7 – ganhos de forma sazonal (períodos com maior ou menor ganhos, ou ausência de ganhos).
Espero que com esse post eu possa ajudar os recém ingressos na carreira a escolherem a melhor opção para o início de sua vida profissional. Mas lembrem-se que independente do que escolherem, se tiverem um planejamento prévio dos passos que devem tomar rumo ao objetivo maior, mais rápido alcançarão-o, desviando-se de armadilhas que possam surgir ao longo do caminho, com uma maior assertividade.

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